Nunca fui boa com finais, eles sempre acabaram comigo. Tudo que sempre se perdia, levava um pouco de mim pro meio do nada. Cada dia que passava, ia me vendo mais ausente, ainda com as mãos mais vazias. Pela metade. Não suporto mais ironias ou piadinhas sem graça. Na verdade, tudo perdeu a graça. Tentar ser tão certa fez de mim um enredo, toda errada. Fez de mim, a idiota da festa que fica sozinha num canto envergonhada.
Desabafar seria bom, se os ouvidos fossem puros ou se os gestos agradassem. Ontem foi a pior noite da minha vida, e não pude nem fingir. Tentava me esconder, mas só conseguia ser o centro das atenções, da mais idiota versão do que é felicidade. Pisaram no meu pé, bebi copos de vodka, e no final, tudo tinha o mesmo gosto amargo de dor, de pêsames passados. De mais uma derrota.
Não adianta fingir que está tudo bem, isso dói. Não sejamos mais hipócritas, admita, todo final é como carta sem entrega. É como derrubar no chão o melhor pedaço de pizza. Sempre te deixa com a incerteza da resposta, do sabor, do que poderia ter sido, afinal. Todo final, é a ironia de um sorriso. É o dente que falta na boca. É a dificuldade em engolir.
Já tentei brincar de faz de conta como as nuvens. Que fingem ser coelhos, jacarés ou enormes bolas de sorvete. No entanto, só consegui fingir ser nuvem, e logo que o vento soprou me desmanchei. Sumi. Assumir a verdade, é a historia que, hoje, tento esconder. É o jogo embaraçoso das palavras que são ditas com calma. Sem alma.
Tropeçar em velhas calçadas, vomitar o pão amanhecido de amanhã. Evitar que o futuro vire passado. Que a risada seja fruto da tua imaginação. Que meu riso, permanece branco lá no céu. Que teu rosto desapareça em meio a multidão. E que finalmente, eu, desista de lhe pedir perdão.
Nunca fui boa com finais, eles sempre acabaram comigo. De tantas quedas, sou meio nada. Coreografia sacana que aprendi na madrugada, com um gingado pra baixo, pra cima. Nunca de lado. Nunca ninguém, ao lado. Que o final, acabe, e que dessa vez, seja de verdade. Sem volta. Sem passado. Fim, prontamente protocolado. Colado em minha testa, advertindo que fiquem longe. Que seja enfim, o fim da dor. Que seja em mim, recomeço.
Comece.
Ahhh. Eu não acredito que você voltou! =D
ResponderExcluirMuito feliz em poder ler seus textos novamente.
;* -layane