terça-feira, 9 de julho de 2013

Palavras que são ditas.

Há tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais. Meus dedos ficarem endurecidos perto do que sinto no coração. O sorriso cobriu o papel, decorou a fotografia. Bem verdade, faltam-me as palavras quando finalmente quero dizer o que sinto. Nunca se tem o bastante. Nunca encontrei resposta pra isso. Amar é perder o sentindo, sentindo apenas a verdade dos lábios, do carinho. É perder um pouco de si e ganhar muito de tudo. De tu.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. As letras saem como lagrimas manchando um pedaço de papel, borrando. Doendo. As palavras sempre me doeram bem. E quando se está feliz, perdemo-las por entre os dedos. Não se tem o que borrar. Não tem o que defender para os olhos, explicar para os outros. Há uma necessidade em dizer o quanto se sofre e o medo em dizer que se está feliz. Acontece que ninguém quer perder a felicidade pela inveja alheia, já a tristeza, bem, essa ninguém quer. Não se há risco em perder. Há o risco de ser infeliz para sempre. Mas não pra mim. Não por ele.
Hoje resolvi mesmo escrever, hoje era preciso correr o risco. Compartilhar sorrisos faz bem pro abraço, incentiva o amasso. Faz-me te amar mais. Há tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais. Troquei as letras por seus olhos. Troquei a caneta por seus dedos envolta de mim. Troquei o papel pela presença. Troquei a poesia por ele. Ele representa o que está escrito dentro de mim. Ele é as palavras que hoje não canso em dizer. Ele é minha historia de amor.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. Mas, agora, prefiro essa coisa toda de vida real, quando o tenho ao meu lado. Quando tenho o que borrar, ou melhor, preencher o coração.
Hoje, invés de falar sobre o amor, eu o sinto. Admito. Eu te amo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Esconda-se.


Nunca me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela ali. Em qualquer canto dentro de casa, lá fora no quintal. Sempre tinha gosto dela no café da manhã até o jantar. Sempre tinha aquela presença quente que me confortava. Tinha também a dor da nossa solidão estampada em cada pedaço de piso no chão. Em cada respingo na parede.
Nunca precisei que soubesse do meu mal estar, do meu cansaço, do meu descaso. Ela sempre me conheceu muito bem. Sabia se meu riso era falso. Sabia se meu choro estava travado. Ela sempre me machucou muito bem.
Sei que sempre fomos mais de duas pessoas. Sempre se tem mais alguém. Às vezes só era bom acreditar que de todas, conseguiria trazê-la de volta. Era bom sentir que pudia fazer ela encontrar o chão. Do contrario, sempre virei seu tapete. Pisoteada com sapatos sujos, sentia a dor de ser tão pouco para alguém. Ser pouco para ela. Ser quase ninguém.
Sabe, ela me dói muito às vezes. Dor de não a querer por perto. De ser mais uma a desistir. Dor que dá coragem de fugir. Sumir daqui. Ela sempre soube me mandar embora. Nos mandar embora. Mas sabe melhor ainda como nos trazer de volta. Mas só um não dá. Só eu não sou suficiente. Bem verdade, eu nunca fui suficiente.
Sou um ponto final de um texto tragicômico. O que dá fim a tudo. A qualquer fala exagerada. A qualquer frase antecipada. As frases dela. A parte em que ela me tira do roteiro. A parte em que viro algo importante apenas para se dar um fim no assunto. Sou o fim do assunto. O chega.
Nunca me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela aqui. Em mim. Mas a perdi naquele chão borrado de magoas. Ela é apenas lembrança de algo que nunca tive. De algo que sempre quis.
Eu só sou memória que ela resolveu esquecer. O que não existe, não dói. Ela existe, e me destrói.