Há
tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais.
Meus dedos ficarem endurecidos perto do que sinto no coração. O sorriso
cobriu o papel, decorou a fotografia. Bem verdade, faltam-me as palavras
quando finalmente quero dizer o que sinto. Nunca se tem o bastante.
Nunca encontrei resposta pra isso. Amar é perder o sentindo, sentindo apenas a verdade dos lábios, do carinho. É perder um pouco de si e ganhar muito de tudo. De tu.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. As letras
saem como lagrimas manchando um pedaço de papel, borrando. Doendo. As
palavras sempre me doeram bem. E quando se está feliz, perdemo-las por
entre os dedos. Não se tem o que borrar. Não tem o que defender para os
olhos, explicar para os outros. Há uma necessidade em dizer o quanto se
sofre e o medo em dizer que se está feliz. Acontece que ninguém quer
perder a felicidade pela inveja alheia, já a tristeza, bem, essa ninguém
quer. Não se há risco em perder. Há o risco de ser infeliz para sempre.
Mas não pra mim. Não por ele.
Hoje resolvi mesmo escrever, hoje era
preciso correr o risco. Compartilhar sorrisos faz bem pro abraço,
incentiva o amasso. Faz-me te amar mais. Há tempos não escrevo nada. Há
tempos as linhas não me representam mais. Troquei as letras por seus
olhos. Troquei a caneta por seus dedos envolta de mim. Troquei o papel
pela presença. Troquei a poesia por ele. Ele representa o que está
escrito dentro de mim. Ele é as palavras que hoje não canso em dizer.
Ele é minha historia de amor.
Engraçado essa coisa toda de poesia
quando se está triste. Mas, agora, prefiro essa coisa toda de vida real,
quando o tenho ao meu lado. Quando tenho o que borrar, ou melhor,
preencher o coração.
Hoje, invés de falar sobre o amor, eu o sinto. Admito. Eu te amo.
terça-feira, 9 de julho de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Esconda-se.
Nunca
me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela ali. Em qualquer
canto dentro de casa, lá fora no quintal. Sempre tinha gosto dela no café da
manhã até o jantar. Sempre tinha aquela presença quente que me confortava.
Tinha também a dor da nossa solidão estampada em cada pedaço de piso no chão.
Em cada respingo na parede.
Nunca
precisei que soubesse do meu mal estar, do meu cansaço, do meu descaso. Ela
sempre me conheceu muito bem. Sabia se meu riso era falso. Sabia se meu choro estava
travado. Ela sempre me machucou muito bem.
Sei
que sempre fomos mais de duas pessoas. Sempre se tem mais alguém. Às vezes só era
bom acreditar que de todas, conseguiria trazê-la de volta. Era bom sentir que
pudia fazer ela encontrar o chão. Do contrario, sempre virei seu tapete.
Pisoteada com sapatos sujos, sentia a dor de ser tão pouco para alguém. Ser
pouco para ela. Ser quase ninguém.
Sabe,
ela me dói muito às vezes. Dor de não a querer por perto. De ser mais uma a
desistir. Dor que dá coragem de fugir. Sumir daqui. Ela sempre soube me mandar
embora. Nos mandar embora. Mas sabe melhor ainda como nos trazer de volta. Mas
só um não dá. Só eu não sou suficiente. Bem verdade, eu nunca fui suficiente.
Sou
um ponto final de um texto tragicômico. O que dá fim a tudo. A qualquer fala
exagerada. A qualquer frase antecipada. As frases dela. A parte em que ela me
tira do roteiro. A parte em que viro algo importante apenas para se dar um fim
no assunto. Sou o fim do assunto. O chega.
Nunca
me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela aqui. Em mim. Mas
a perdi naquele chão borrado de magoas. Ela é apenas lembrança de algo que
nunca tive. De algo que sempre quis.
Eu
só sou memória que ela resolveu esquecer. O que não existe, não dói. Ela
existe, e me destrói.
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