Há
tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais.
Meus dedos ficarem endurecidos perto do que sinto no coração. O sorriso
cobriu o papel, decorou a fotografia. Bem verdade, faltam-me as palavras
quando finalmente quero dizer o que sinto. Nunca se tem o bastante.
Nunca encontrei resposta pra isso. Amar é perder o sentindo, sentindo apenas a verdade dos lábios, do carinho. É perder um pouco de si e ganhar muito de tudo. De tu.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. As letras
saem como lagrimas manchando um pedaço de papel, borrando. Doendo. As
palavras sempre me doeram bem. E quando se está feliz, perdemo-las por
entre os dedos. Não se tem o que borrar. Não tem o que defender para os
olhos, explicar para os outros. Há uma necessidade em dizer o quanto se
sofre e o medo em dizer que se está feliz. Acontece que ninguém quer
perder a felicidade pela inveja alheia, já a tristeza, bem, essa ninguém
quer. Não se há risco em perder. Há o risco de ser infeliz para sempre.
Mas não pra mim. Não por ele.
Hoje resolvi mesmo escrever, hoje era
preciso correr o risco. Compartilhar sorrisos faz bem pro abraço,
incentiva o amasso. Faz-me te amar mais. Há tempos não escrevo nada. Há
tempos as linhas não me representam mais. Troquei as letras por seus
olhos. Troquei a caneta por seus dedos envolta de mim. Troquei o papel
pela presença. Troquei a poesia por ele. Ele representa o que está
escrito dentro de mim. Ele é as palavras que hoje não canso em dizer.
Ele é minha historia de amor.
Engraçado essa coisa toda de poesia
quando se está triste. Mas, agora, prefiro essa coisa toda de vida real,
quando o tenho ao meu lado. Quando tenho o que borrar, ou melhor,
preencher o coração.
Hoje, invés de falar sobre o amor, eu o sinto. Admito. Eu te amo.
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