sábado, 28 de janeiro de 2012

Certas coisas.

Começo dizendo que a verdade é que mudei. Mudei sim. De endereço, esquina. Troquei até mesmo de olhos. É bem verdade que o gosto mudou, os sonhos aumentaram, a estupidez fluiu. Mudei, mudei muito. Devo confessar que por vezes senti minha falta. Lembrava antes de dormi de como era fácil rir, de como era fácil enxergar o céu azul e uma estrada sem buracos. Mas é bem verdade também, que agora o que sinto é alivio. Ter sido por tempo tão menina só serviu de mancha roxa em meu rosto. Serviu de umidade em meus olhos. Serviu para deixar a boca seca, pálida. Muda.
Começo dizendo que a verdade é que não me arrependo. Mudar é bom. Não me encontrava dentro daquelas roupas rasgadas, daqueles corações vazios. Não me encontrei ao correr para longe de ti. Não te vi no final. Não ouvi nada sobre tudo ficar bem, afinal. É bem verdade que não gostei de lhe perder, que não queria ficar sem os bons dias, sem a companhia. Mas tu sabes que tentei. Liguei, olhei, te segurei pelo braço, pedi que ficasse independente das aulas na segunda, mas teu tempo já tinha acabado para mim. Sou um tempo muito grande, ocupo demais. Atraso.
Começo dizendo que a verdade é que doeu. Na mudança, certas coisas se perderam. Coisas da qual tinha muito apreço. Mas a regra agora era olhar para frente, permitindo que o vento lambesse meu rosto, que a umidade fosse chuva, que a boca se abrisse pelo ar. Que o tempo se permitisse ser meu. É bem verdade que dizer chega é difícil, que dizer adeus consome suas ultimas gotas. Mas eu disse. Respirei fundo, e dei as costas. Fui mais eu, ao mudar. Fui mais eu, ao desistir de me humilhar. Fui mais eu, quando finalmente, olhei no espelho e vi aquela mesma pessoa torta, sorrindo. Ter mudado, tornou-me quem era desde o inicio.
Termino dizendo que a verdade é que mudei. Mudei sim. Agora, me sinto feliz. Essa foi a maior mudança.

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