quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobre inventar.


Quão linda estava a noite, onde os casais se perdiam por entre seus lençóis. Quão contagiante era te tocar no imaginário de nossos corações com vontade de se ter. Como desejei essa noite, onde os corpos se perdem no anonimato dos nomes, na química, naquele sentimento maior. É perda de tempo evitar, fingir sermos desconhecidos, sabendo que não conseguimos nos esquecer. Memorias que teimam a voltar entre as nove da noite e as cinco da manhã. Tu sabes bem minha vontade de você.
Nossos olhos tímidos sempre se cruzam nos corredores, nas esquinas. Tu sempre me olhas com cara de quem sabe demais. Sempre ignoro teus olhos como quem finge esquecimento por entre as reticências que tu teima em deixar. Mas quando vira o rosto, te olho por entre meus óculos que parecem não fazer mais parte de mim. Olho-te boba. Sugo-te ao olhar. Os fecho, e me vejo sorrindo, querendo-te outra vez, ainda e muito.
A boca teima em lembrar seu tom de voz, seu jeito tragicómico de falar. De me mandar embora, de me fazer voltar. Escondo minhas mãos sujas de ti nos bolsos daquela jaqueta jeans. Sua. Imaginar-te é assunto principal do dia, é meu café da manhã, meu por do sol em retratos. Pensar em ti, é remendo, bem feito, em ferida ainda aberta, é amor maior. Querer-te é sempre minha vontade, meu rascunho para mais tarde. Ter-te, é noivado sem anel, casamento sem padre, noiva sem buquê. Porque a cima de nosso sentimento, ainda somos amigos imaginários, decoração de buteco, ausentes com hora marcada para se reencontrar.
Somos dois pares de meias velhas, que ninguém quer usar. Mesmo assim, somos um par. Feio, torto, velho e sujo, mas não vamos separados a nenhum lugar.
Nossa invenção, é nossa historia. Tu faz moradia em mim, faço moradia em ti. Levo-te, assim, comigo, sobre meus pés.
Aqueça-me. Traga-me café, enquanto invento outra historia, de amor sobre amar. Para guardar no canto da boca, enquanto finjo te beijar.

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