Lembro bem do dia em que os
olhos cheios de lágrimas pediam paz. Lembro de desistir de tentar. Quis
acreditar na velha historia em que tudo o que acontece tem, sim, um motivo para
acontecer. Bem verdade, às vezes, elas simplesmente acontecem. Difícil pedir
por não ter o que sempre desejei. Mandar embora, se possível, a ponta pés e
palavras ditas em voz alta, muito alta. Vá embora.
Estava na hora de sorrir.
Deus, estava na hora de dizer Amém. Seja lá o que aconteceu, simplesmente fiz
um pedido aquela noite. "Que seja bom, que seja de verdade." Não sei
como, mas fui atendida. Não me importavam mais palavras bonitas e juras que
sempre vamos descobrir que foram falsas. Importava-me apenas em ficar lúcida,
talvez, crescer. Acho que sempre tive muita infância pela frente. Derrubava ao
chão brinquedos e balas de mascar, pintava o rosto como o de um palhaço, fones
no ouvido e qualquer dança esquisita no meio da praça, em todos os passos.
Foi tudo tão de repente, não
sei ao certo se aquele começo existiu. Ele fora tão preciso, do tipo, "preciso
de você". E eu fui tão receptível, do tipo "ele é incrível". Sem
rimas clichês, a verdade é que senti necessidade daquilo, quis pra mim. E como
no pedido ele também me quis. Como no pedido, era bom, era de verdade. De
migalhas e metades, somente minhas lembranças, sem saudade, sem maldade. Só
algo que se foi, talvez para sempre, e me fez bem. Não importa. Talvez fosse
preciso.
De tantos rostos, ele é hoje
o mais claro de todos, o que faz mais sentido. Aqueles olhos brilham ao me ver,
preciso apenas sorrir, doce, completamente besta, ele só precisa ver. Suas mãos,
parecem ter medo de me machucar, isso justificaria sua calmaria ao me tocar.
Sinto-me um travesseiro que ele abraça por entre braços e pernas, e aperta para
adormecer. Como é bom dormir assim, sem identificar metade do meu corpo com o
dele. Fazer junção do nós.
Sei que agora vai muito além
do fato de estar apaixonada, bem dizer, apaixonada qualquer pessoa fica em plena
festa open bar. Vai além disso, é encantamento, vontade boa em estar junto. É
presença, até no ato de lembrar. É amor, daquele que dura para sempre. Do qual
não se pode fugir. Não se quer. É o gesto de cuidar, proteger, abraçar. É o
peito e barriga alvoroçados, é a respiração em paz. É ele. E posso provar.
Dia 11 do mês de Julho no
ano de 2012, fui até sua casa, segurando-me em alegria, pego meu celular e
aviso:
- Meu amor, estou aqui fora.
Da varanda de seu quarto ele
acena:
- Entra!
Ao entrar em
sua casa, minha vontade era pular em seu abraço, mas ele não estava lá, não
abrirá a porta para que pudesse entrar, sua mãe o fizera, confesso que fiquei
assustada, tentando relembrar meus últimos atos, se teria feito algo que
merecesse ser lembrado e discutido, antes que me defende-se sem motivos, ela
disse:
- Ele está
no quarto. Pode entrar.
Porta fechada,
silêncio. Ao bater e sem ser atendida, meu coração queria explodir em
ansiedade, não me contive em não abrir.
- Amor? Você
está aí?
Escondido
atrás da porta de seu quarto, com aqueles olhos dos quais frisei brilhar,
coloca em sua frente uma rosa branca e que fique claro, rosas brancas são as
melhores, sempre foram minhas favoritas, são puras, são as mais bonitas.
Ele – Certo dia
você disse que adora gestos simples.
Eu, permitindo
que as lágrimas rolassem e desenhassem a alegria em meu rosto – Que lindo!
Abraço
apertado. O melhor abraço.
Ele – Sente o
perfume dela, meu amor.
Como se não bastasse
trazer de volta todo tipo de sorrisos em minha vida, todo tipo de abraços, todo
o amor do mundo, além daquela rosa branca em minhas mãos, de toda a singela surpresa
e ansiedade, dentro daquele botão de rosa, uma aliança e seu nome escrito.
Ele – Eu te
amo!
Eu – Eu te amo
mais!
Se isso não é
o amor, então não quero ter amor, quero ter ele, pra sempre, porque ele É a
melhor sensação do mundo.
Lembro bem do dia
em que os olhos cheios de lágrimas pediam paz, hoje eles simplesmente
agradecem. E eu, simplesmente, sorrio. De coração.
Amém.