terça-feira, 9 de julho de 2013

Palavras que são ditas.

Há tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais. Meus dedos ficarem endurecidos perto do que sinto no coração. O sorriso cobriu o papel, decorou a fotografia. Bem verdade, faltam-me as palavras quando finalmente quero dizer o que sinto. Nunca se tem o bastante. Nunca encontrei resposta pra isso. Amar é perder o sentindo, sentindo apenas a verdade dos lábios, do carinho. É perder um pouco de si e ganhar muito de tudo. De tu.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. As letras saem como lagrimas manchando um pedaço de papel, borrando. Doendo. As palavras sempre me doeram bem. E quando se está feliz, perdemo-las por entre os dedos. Não se tem o que borrar. Não tem o que defender para os olhos, explicar para os outros. Há uma necessidade em dizer o quanto se sofre e o medo em dizer que se está feliz. Acontece que ninguém quer perder a felicidade pela inveja alheia, já a tristeza, bem, essa ninguém quer. Não se há risco em perder. Há o risco de ser infeliz para sempre. Mas não pra mim. Não por ele.
Hoje resolvi mesmo escrever, hoje era preciso correr o risco. Compartilhar sorrisos faz bem pro abraço, incentiva o amasso. Faz-me te amar mais. Há tempos não escrevo nada. Há tempos as linhas não me representam mais. Troquei as letras por seus olhos. Troquei a caneta por seus dedos envolta de mim. Troquei o papel pela presença. Troquei a poesia por ele. Ele representa o que está escrito dentro de mim. Ele é as palavras que hoje não canso em dizer. Ele é minha historia de amor.
Engraçado essa coisa toda de poesia quando se está triste. Mas, agora, prefiro essa coisa toda de vida real, quando o tenho ao meu lado. Quando tenho o que borrar, ou melhor, preencher o coração.
Hoje, invés de falar sobre o amor, eu o sinto. Admito. Eu te amo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Esconda-se.


Nunca me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela ali. Em qualquer canto dentro de casa, lá fora no quintal. Sempre tinha gosto dela no café da manhã até o jantar. Sempre tinha aquela presença quente que me confortava. Tinha também a dor da nossa solidão estampada em cada pedaço de piso no chão. Em cada respingo na parede.
Nunca precisei que soubesse do meu mal estar, do meu cansaço, do meu descaso. Ela sempre me conheceu muito bem. Sabia se meu riso era falso. Sabia se meu choro estava travado. Ela sempre me machucou muito bem.
Sei que sempre fomos mais de duas pessoas. Sempre se tem mais alguém. Às vezes só era bom acreditar que de todas, conseguiria trazê-la de volta. Era bom sentir que pudia fazer ela encontrar o chão. Do contrario, sempre virei seu tapete. Pisoteada com sapatos sujos, sentia a dor de ser tão pouco para alguém. Ser pouco para ela. Ser quase ninguém.
Sabe, ela me dói muito às vezes. Dor de não a querer por perto. De ser mais uma a desistir. Dor que dá coragem de fugir. Sumir daqui. Ela sempre soube me mandar embora. Nos mandar embora. Mas sabe melhor ainda como nos trazer de volta. Mas só um não dá. Só eu não sou suficiente. Bem verdade, eu nunca fui suficiente.
Sou um ponto final de um texto tragicômico. O que dá fim a tudo. A qualquer fala exagerada. A qualquer frase antecipada. As frases dela. A parte em que ela me tira do roteiro. A parte em que viro algo importante apenas para se dar um fim no assunto. Sou o fim do assunto. O chega.
Nunca me importei em não ter tanta gente por perto. Sempre tive ela aqui. Em mim. Mas a perdi naquele chão borrado de magoas. Ela é apenas lembrança de algo que nunca tive. De algo que sempre quis.
Eu só sou memória que ela resolveu esquecer. O que não existe, não dói. Ela existe, e me destrói.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Super-herói.


Que sempre fui torta todos já sabem. Que sempre errei é texto que ninguém mais quer ler. Que até egoísta já fui, tive que assumir. Mas quanto a ser uma burra, bem, essa é novidade para mim.
Foram-se as garrafas de vodka, as carteiras de cigarros. Foram-se alguns amigos também, é sempre bom lembrar. Mas meu coração ainda estava aqui. Ainda.
Perdi o ar das festas, daquilo que, nunca me fez feliz. Perdi o tom da graça, sem graça de dizer bom dia. Olhar para um espelho, e conseguir se enxergar linda. Isso também é novidade. E sinceramente, é o que menos importa. Quando fecho os olhos, ainda me vejo torta. Ainda vejo aquela garota que beira calçadas. Que tropeça no próprio soluço. Que os olhos ardem ao fechar. Que a boca cala o choro em tom de grosseria. Devo ser a mais grossa de todas. Do tipo que manda embora até a mãe. Do tipo que estraga tudo. De uma vez. Sempre. Outra vez. Sempre.
Confesso que tentei mudar, confesso que acreditei que seria uma pessoa melhor. Como cansei de me enganar. Bem verdade, sou mais uma parte que não tem jeito. A outra, é uma parte que só consegue falar, mas que já se perdeu nas promessas. Não consigo cumprir todas. É demais para quem é só uma metade de riso, metade de olhares. De tudo.
Acho melhor desistir. Deixo aqui minha fala falha. Minhas mãos cansadas. Deixo aqui toda essa merda que preguei um dia. Chega de cartazes de felizes para sempre. Chega de hipocrisia. Não quero mais magoar ninguém. Não quero iludir ninguém. Não presto. Não sou boa pessoa. Nunca deveria ter deixado os cigarros, não deveria ter deixado de lado a verdade. Não sou boa o bastante. Não consigo. Sou apenas isso, de migalhas em migalhas, vou me construindo. Evoluindo, de poeira em poeira, de gritos. E sempre vou ser isso. Uma tentativa.
Não quero que tentem me amar. Não quero que tentem fazer com que dê certo. Quero um dia ser inteira, quero que alguém diga que é certo. Que sou eu. Que mesmo que seja inteira de erros, quero que alguém ame até mesmo meus defeitos. Quero que sinta falta. Quero que erre comigo. Quero acertar também. Quero ser o acerto de alguém. Não quero ser uma tentativa, não sou loteria, não sou sorte pra ninguém. Quero ser uma certeza, ou está comigo, ou não. Ou me ama, ou não. Quero ser boa. Suficiente. Quero que não me deixe...
Que sempre fui torta todos já sabem, virei titulo de vida. Mas quanto a ser burra, bem, ainda te quero, ainda o amo mais que a mim. Sou completamente burra por você. Tão burra, que me acostumei mal aos meus rascunhos, que lhe feri. Sinto muito. Não vou mais mentir. Mas meu coração eu perdi. Não consigo mudar, não assim, não sozinha. Ou devolva meu coração, ou, o cure para mim.
Salva-me.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma parte da historia.


Lembro bem do dia em que os olhos cheios de lágrimas pediam paz. Lembro de desistir de tentar. Quis acreditar na velha historia em que tudo o que acontece tem, sim, um motivo para acontecer. Bem verdade, às vezes, elas simplesmente acontecem. Difícil pedir por não ter o que sempre desejei. Mandar embora, se possível, a ponta pés e palavras ditas em voz alta, muito alta. Vá embora.
Estava na hora de sorrir. Deus, estava na hora de dizer Amém. Seja lá o que aconteceu, simplesmente fiz um pedido aquela noite. "Que seja bom, que seja de verdade." Não sei como, mas fui atendida. Não me importavam mais palavras bonitas e juras que sempre vamos descobrir que foram falsas. Importava-me apenas em ficar lúcida, talvez, crescer. Acho que sempre tive muita infância pela frente. Derrubava ao chão brinquedos e balas de mascar, pintava o rosto como o de um palhaço, fones no ouvido e qualquer dança esquisita no meio da praça, em todos os passos.
Foi tudo tão de repente, não sei ao certo se aquele começo existiu. Ele fora tão preciso, do tipo, "preciso de você". E eu fui tão receptível, do tipo "ele é incrível". Sem rimas clichês, a verdade é que senti necessidade daquilo, quis pra mim. E como no pedido ele também me quis. Como no pedido, era bom, era de verdade. De migalhas e metades, somente minhas lembranças, sem saudade, sem maldade. Só algo que se foi, talvez para sempre, e me fez bem. Não importa. Talvez fosse preciso.
De tantos rostos, ele é hoje o mais claro de todos, o que faz mais sentido. Aqueles olhos brilham ao me ver, preciso apenas sorrir, doce, completamente besta, ele só precisa ver. Suas mãos, parecem ter medo de me machucar, isso justificaria sua calmaria ao me tocar. Sinto-me um travesseiro que ele abraça por entre braços e pernas, e aperta para adormecer. Como é bom dormir assim, sem identificar metade do meu corpo com o dele. Fazer junção do nós.
Sei que agora vai muito além do fato de estar apaixonada, bem dizer, apaixonada qualquer pessoa fica em plena festa open bar. Vai além disso, é encantamento, vontade boa em estar junto. É presença, até no ato de lembrar. É amor, daquele que dura para sempre. Do qual não se pode fugir. Não se quer. É o gesto de cuidar, proteger, abraçar. É o peito e barriga alvoroçados, é a respiração em paz. É ele. E posso provar.
Dia 11 do mês de Julho no ano de 2012, fui até sua casa, segurando-me em alegria, pego meu celular e aviso:
- Meu amor, estou aqui fora.
Da varanda de seu quarto ele acena:
- Entra!
Ao entrar em sua casa, minha vontade era pular em seu abraço, mas ele não estava lá, não abrirá a porta para que pudesse entrar, sua mãe o fizera, confesso que fiquei assustada, tentando relembrar meus últimos atos, se teria feito algo que merecesse ser lembrado e discutido, antes que me defende-se sem motivos, ela disse:
- Ele está no quarto. Pode entrar.
Porta fechada, silêncio. Ao bater e sem ser atendida, meu coração queria explodir em ansiedade, não me contive em não abrir.
- Amor? Você está aí?
Escondido atrás da porta de seu quarto, com aqueles olhos dos quais frisei brilhar, coloca em sua frente uma rosa branca e que fique claro, rosas brancas são as melhores, sempre foram minhas favoritas, são puras, são as mais bonitas.
Ele – Certo dia você disse que adora gestos simples.
Eu, permitindo que as lágrimas rolassem e desenhassem a alegria em meu rosto – Que lindo!
Abraço apertado. O melhor abraço.
Ele – Sente o perfume dela, meu amor.
Como se não bastasse trazer de volta todo tipo de sorrisos em minha vida, todo tipo de abraços, todo o amor do mundo, além daquela rosa branca em minhas mãos, de toda a singela surpresa e ansiedade, dentro daquele botão de rosa, uma aliança e seu nome escrito.
Ele – Eu te amo!
Eu – Eu te amo mais!
Se isso não é o amor, então não quero ter amor, quero ter ele, pra sempre, porque ele É a melhor sensação do mundo.
Lembro bem do dia em que os olhos cheios de lágrimas pediam paz, hoje eles simplesmente agradecem. E eu, simplesmente, sorrio. De coração.
Amém.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nosso.


E que se comecem os clichês, que volte a tona todas aquelas velhas frases exageradas e enfeitadas. Que cole na testa, nos olhos, nos lábios. Que todos possam ver. Permita-se.
Seria mentira fingir que já não amei outras segundas-feiras por ai, mas de todas, essa é a mais calma. Clara.
Sem promessas ou juras eternas, sem mendigar sorrisos ou mãos dadas, sem enrolar demais. Ele é hoje, algo que, bem verdade, nunca tive. Nunca fui.
É o bom dia envergonhado, o jeito sem graça de me oferecer o café. É a mão firme ao me tocar. É o maior sorriso do mundo. É um todo de olhares, que brilham, me iluminam. É a pressa ao me ver, é a calma por estar comigo. Suave, direto, com verdade. Nunca fui tão verdade, como quando digo que o amo. Nunca fui tão calma, como quando preciso ir para casa.
Ele deve ter feito um lar em mim. Sinto a cama quentinha e macia, sinto o cheiro das rosas brancas do inicio, posso ver nossas escovas de dente juntas toda manhã. Mesmo quando estamos longe, consigo vê-lo deitado na cama, com aquela, incrivelmente estranha, sempre, cara de sono, e que, sinceramente, eu acho linda.
Confesso, que quando imagino um futuro, não imagino algo que me afaste. Não imagino outro tom de voz, ou outros braços em minha volta. Imagino o simples, o recíproco. Imagino um rosto lindo, um ser humano que fez de mim, mais que ausência em fotos coloridas, mais que anéis de compromissos. Fez de mim, o que sempre fui, só que melhor. Do tipo que não só acredita, mas confia, no amor.
E que se comecem os clichês, que volte a tona todas aquelas velhas frases exageradas e enfeitadas. Mas que dessa vez eu esteja certa. Estou certa. Dessa vez não amo uma invenção, não amo uma idealização, não amo por obrigação. Dessa vez, ele me faz amar, do nada, pro muito.
Seria mentira fingir que já não amei outras segundas-feiras por ai, mas hoje; hoje troquei os dias pelos sonhos. Ele é meu sonho. E sabe o que se faz, quando os sonhos se realizam? Bem, a gente fica com ele pra sempre. 
Sempre.

“O sonho é o que temos de realmente nosso, de
 impenetravelmente e inexpugnavelmente NOSSO.”

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ninguem precisa saber.


Eu lembro daqueles olhos ao dizer: vá. Lembro da voz rude que não cessou em me magoar. Lembro de ter chorado. Lembro de desejar a morte se fosse para ficar sem ele. Lembro de ter desistido de morrer. Lembro de tentar. Lembro do barulho da chuva naquele dia. Lembro de sua tosse causada por tragadas seguidas de cigarro. Lembro das mãos tremulas, das pernas grossas fincadas no barro. Lembro do jarro atrás de suas costas. Lembro do piso de madeira, da janela daquela maldita casa. Lembro de crianças correndo para se abrigar. Lembro de ter tentado sorrir. Lembro de como entrou no carro e lembro de como foi embora sem acenar. Lembro dos olhares de pena, seguidos de tapinhas nas costas. Lembro de não ter pedido nada disso. Lembro de ter tentado correr e das pernas permanecerem mais ausentes do que tivera sido. Lembro de gritar, realmente lembro de gritar. Lembro de como quase sangrei minhas cordas vocais. Lembro de como aquilo doeu, ele me doeu. Me dói.  Lembro de não ter esquecido. Lembro de dias que se passaram sem um sinal de aviso. Lembro de ter perdido um pai. Lembro de não ter nascido. Não para ele. Não em mim.
Não lembro do seu sorriso, não lembro do seu abraço, não lembro dos bons dias, não lembro de sua companhia. Não lembro dos presentes, do agasalho, dos seus passos. Não lembro de palavras clichês, não lembro de um: eu amo você. Não lembro das flores, nem dos desenhos que quis fazer. Não lembro dos filmes juntos, não lembro do parque de diversões. Não lembro da alegria no rosto da criança. Não lembro do que veio depois.
Lembro de todos dizerem que ele mudou. Não lembro do telefone tocar. Lembro de todos dizerem que ele sentiu saudade. Não lembro dos seus braços em volta dos meus quando voltei. Lembro de todos dizerem que ele me ama tortamente. Não lembro do tom de sua voz. Lembro de todos dizerem: tente. Não lembro do caminho de volta para sua casa.
Se ele não tentou, tento menos ainda. De egoísmo para egoísmo, sou mais palavras num papel que vida em família. Peço desculpa, por estar lhe esquecendo. Peço uma foto sua. Peço que fique, um dia, até mais tarde, que tome qualquer coisa e me permita lembrar. Lembrar-te.
Lembro de ser filha. Não lembro de ter pai.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Certas coisas.

Começo dizendo que a verdade é que mudei. Mudei sim. De endereço, esquina. Troquei até mesmo de olhos. É bem verdade que o gosto mudou, os sonhos aumentaram, a estupidez fluiu. Mudei, mudei muito. Devo confessar que por vezes senti minha falta. Lembrava antes de dormi de como era fácil rir, de como era fácil enxergar o céu azul e uma estrada sem buracos. Mas é bem verdade também, que agora o que sinto é alivio. Ter sido por tempo tão menina só serviu de mancha roxa em meu rosto. Serviu de umidade em meus olhos. Serviu para deixar a boca seca, pálida. Muda.
Começo dizendo que a verdade é que não me arrependo. Mudar é bom. Não me encontrava dentro daquelas roupas rasgadas, daqueles corações vazios. Não me encontrei ao correr para longe de ti. Não te vi no final. Não ouvi nada sobre tudo ficar bem, afinal. É bem verdade que não gostei de lhe perder, que não queria ficar sem os bons dias, sem a companhia. Mas tu sabes que tentei. Liguei, olhei, te segurei pelo braço, pedi que ficasse independente das aulas na segunda, mas teu tempo já tinha acabado para mim. Sou um tempo muito grande, ocupo demais. Atraso.
Começo dizendo que a verdade é que doeu. Na mudança, certas coisas se perderam. Coisas da qual tinha muito apreço. Mas a regra agora era olhar para frente, permitindo que o vento lambesse meu rosto, que a umidade fosse chuva, que a boca se abrisse pelo ar. Que o tempo se permitisse ser meu. É bem verdade que dizer chega é difícil, que dizer adeus consome suas ultimas gotas. Mas eu disse. Respirei fundo, e dei as costas. Fui mais eu, ao mudar. Fui mais eu, ao desistir de me humilhar. Fui mais eu, quando finalmente, olhei no espelho e vi aquela mesma pessoa torta, sorrindo. Ter mudado, tornou-me quem era desde o inicio.
Termino dizendo que a verdade é que mudei. Mudei sim. Agora, me sinto feliz. Essa foi a maior mudança.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pura sorte.

Ontem, a noite foi por deveras inacreditável. Até mesmo os joelhos arranhados compensaram no final. Cada gota daquele suor, espremendo-se por entre os dedos, fez com que sorrisse em gemidos altos. Toda parede sem reboco, em volta, se tornou paraíso oblíquo de teus olhos. Correr dali não foi uma idéia que permaneceu por muito tempo. O medo de gostar demais restringia o olhar. Enxergar aquela cena de fora, seria definitivamente sua maior vontade. Acreditar que acontecia, aconteceu. Dois corpos que se lambiam, sem receio de seus gostos, seus odores ou do tempo.
Quando ambos se encontraram, e cada parte torta se encaixou, seus corpos vibravam cada um em uma frequência, todos com o mesmo pensamento. Horas diferentes. Sensações diferentes E uma única vontade: a de se ter. A espera calma de que ela chegasse ao ápice, a demanda rápida que aumentava em euforia. E no final, apenas corpos deitados por uma superfície nem tanto plana. Dedo com dedo, pernas entre-cruzadas. Silêncio.
A porta se abre, e um deles deixa aquela cena. Deixa tudo ali, naquele chão, que agora está repleto de nada. Até mesmo as manchas somem, o cheiro os deixa. Pedras começam a machucar, a vergonha do próprio corpo surge. Memória de quem fica, é a de tentar apagar.
Sempre quem fica, tenta apagar. A dor de ter acreditado que aquilo um dia poderia ser especial, te torna vulgar. Sexo é sexo. E ela ficou nua em plena sala de estar, que nunca recebera piso, nem moveis, nem nada. Assim como ela, repleta de partes inacabadas, deixada. Desistida de continuar.
Fitará aquele chão, como quem procurava faíscas de um amor que pudera estar ali. Naquele amontoado de areia e pedrinhas, sucumbindo desejo e pele. A prova de que conseguiria, ganharia uma batalha. Seria imortal dentro daquele coração. Seria enfim, qualquer espécie de começo. Qualquer espécie de fé. Qualquer coisa que tivesse uma companhia.
Aos poucos, resolve acordar de si, veste, paulatinamente, seu vestido branco e empoeirado, suas sandálias gastas, quando seu cabelo cai por entre os olhos, e ela sorri tímida de lado, lembrando de como aquele sujeito da noite passada, tinha com os dedos suaves, os colocado atrás de sua orelha, e com um olhar de ternura repetido diversas vezes: -Você é linda! Você é linda!
A porta se abre e ele entre com rosquinhas de chocolate.
Sexo é sexo. Mas nesse caso, também é amor.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Entre esquinas.


Quanto mais lembro aquelas palavras, mais sinto pena de mim. Cavei meu próprio buraco, fundo na lama podre de teus olhos. Bebi de tua saliva para não morrer de sede, e, no entanto, a morte se deu por teu veneno. Fui sufocando aos poucos, vendo cada parte minha sendo deixada num lar que tínhamos construídos juntos. Um lar que lapidei com as unhas. Hoje, faltam-me até mesmo os dedos, que ficaram em teu corpo, marcando de vermelho teus machucados. Agredindo-te com uma falsa presença. Lembranças que nenhum de nós desejou ter. Vida, que morreu ali, naquela estrada, que nos separa. Distantes, perdemos a causa. Não lembro o motivo pelo qual amei, lembro apenas pelo o qual deixei. Deixou-me. E isso nem é o que mais dói. Dor mesmo é fingir não lembrar. Dor mesmo foi ter deixado pra lá. Deixado-ti.
Ao me perder, reluto se realmente ainda quero reinventar meus pedaços. Às vezes penso que ser de mentira, torna tudo mais fácil. Não precisar contar o que de fato aconteceu. Não ter que estampar sorrisos falsos só para agradar a noite de alguém que nem quero tão bem. Que não quero perto. Afastar todos é bem mais difícil do que parece, ter que admitir que companhia é melhor, fode o pouco do juízo que me restava. Minha cabeça pede para explodir, para esculpir braços fortes envolta de mim. Sei que não sou boa pessoa, tenho andando torta além da conta, julgando aparências velhas da escola, trocando apelidos por falta de jeito, acho que mereço todos aqueles risos que esgotaram minha paciência. A simpatia em cada dia, o tédio consumindo toda uma vida. Na verdade, eu queria apenas fugir, ser culpada da minha causa. Ser vida fora de mim.
Como soa linda a tragédia do nosso fim, como envolvidos em nada, tornou tudo tão mais intenso, como ser oblíquo fez de nos encaixes perfeitos. Ser tão ausente tomou nosso porta retrato. Nossa dignidade, some, esconde-se repleto de amargura. Armaduras que cravei, tranquei com cadeados tudo aquilo que desejei de ti, longe, bem longe do alcance de minhas mãos, longe, bem longe, do alcance dos meus pensamentos. Perto o suficiente para não dizer de novo sim.
Fique longe, bem longe de mim.

Segunda-feira blues.



Toda luta por uma segunda chance deve mesmo valer a pena. O amor à primeira vista, o desejo no primeiro beijo. Depois voltar a se apaixonar. Tudo pela mesma pessoa. Deve mesmo valer a pena. Nunca vi o amor acontecer duas vezes. No meu caso ele nunca deixou de existir, de viver, de bater. Lembro da primeira vista, do primeiro beijo roubado, que não devia acontecer. Lembro da falta de suspiros, do meu grito exagerado. Minha sempre forma de amar desesperada, que a meu ver, é sempre a melhor maneira de amar.
Todo dia deveria ser dia de conquistar, reconquistar. De ter por perto. Seja com flores, abraços, carinhos e amassos. O amor não é o tipo de produto com prazo de validade, ele não tem tempo para acabar ou tempo para começar. Ele simplesmente acontece. O amor não é presença ou ausência. É o conjunto dos dois. É o cigarro que precisa da tragada para ser acesso. É o sonho que precisa do sono para se dividir. É memória. O amor é sempre memória. Aquela parte que vai surgir em determinado momento do seu dia. Aquela dor que vai bater em quase todos os momentos da sua noite. Só pra te fazer relembrar. Só pra te convencer a se apaixonar outra vez pela mesma pessoa, em outro lugar.
Sempre achei essas avalanches de sentimentos bem desagradáveis. O tipo de coisa que não queria pra mim. Sim, meta de vida boa, era não amar ninguém. Hoje amo a pior espécie que existe. Uma pessoa que é como eu era, sem tempo para bobagens. Sempre há aula na segunda, e dizer que vai se concertar numa segunda-feira é mentira. Assim como todos que mentem sobre a dieta que irá começar. A segunda é mentirosa por antecipação. Odeio segundas, principalmente as blues.
A questão, é que apoio quem acredita em segundas chances. Em recomeçar. Tudo soa lindo, poético. De fato, esperançoso. Quem acredita, faz de mim coragem. Dá a mim, porto seguro. Mas infelizmente, no meu caso, recomeço continua sendo remendo mal feito em ferida que não sara. Toda luta por uma segunda chance deve mesmo valer a pena. Toda luta para esquecer uma segunda-feira é pouco.
De recomeço em recomeço, virei ferida aberta. Minha cura não cessa. Meu remendo foi desfeito

Seria uma história.



Planejou chegar devagar, sem se anunciar. Planejou virar-se em minha direção e me olhar com olhos vidrados em meus lábios. Planejou derrubar meus livros ao chão. Planejou tocar minhas mãos. Planejou se fazer de vitima em todas as noites escuras e chuvosas. Planejou tocar para mim a tal música mais linda. Planejou sorrir quando eu acordava com o rosto amassado pelo travesseiro. Planejou surgir todas as segunda-feiras com um copo de café quente na cama. Planejou me fazer sorrir todos os dias dessas malditas semanas. Planejou meu amor. Planejou todas as cenas. Planejou como eu me apaixonaria. Planejou como tudo seria. Planejou o adeus. Planejou a vida sem mim. Planejou tudo sem mim.
Estúpida que sou, caí em seus braços. Estúpida que sou, acreditei em cada frase mal dita. Estúpida que sou, abracei-o com força. Estúpida que sou, estava feliz. Estúpida que sou, sonhei com ele. Estúpida que sou, não me imaginei sem ele. Estúpida que sou, não aprendi a ficar sem ele.
Agora os dias passam com a mesma frequência que as notas musicais da nossa música tocam apenas para mim; repetindo-se. Agora os momentos pedem sempre um copo de café logo pela manhã; repetindo-se. Agora as pessoas dão risada; repetindo-se. Agora meus passos estão travados; repetindo-se. Agora meu horário é sempre atrasado; repetindo-se. Agora minhas dores tem gosto de tequila; repetindo-se. Agora minhas anotações viram poesia; repetindo-se. Agora minha vida se repete; para sempre adeus.
Feriu a mim como espada, ferro, fogo. Feriu a mim, por maldade, ego, jogo. Feriu a mim, por conceito, estímulos, amargura de seu próprio eu. Feriu a si, por amor. Feriu a si, por perdão. Feriu a si, por evolução. Feriu a si, por insegurança.
No fim, negou-me o ar, negou-me o pão. No fim, tirou-me os juízos, tirou-me os sentidos. No fim, se fez mentiras, cansou de falar.
De todos os outonos, de toda a primavera, verão, inverno. De todo o céu, por todo o mar. De tanto azul. De tantas estradas. Não deixei de te amar. Com tantos gestos, com tantas palavras. Por tanto sono, por todos os sonhos. Não deixei te amar. Por motivos banais, por motivos reais, por motivos mortais. Por dádivas, por cartas. Por todos os canais. Não deixei de te amar.
 Quando estou bem, você tem culpa. Quando estou mal, você tem culpa. Sou, tudo aquilo, que eu mesma inventei. Com toda a igualdade de inicio. És, tudo aquilo, que eu mesma inventei. Com toda a diferença do inicio. Mesmo assim, não deixei de te amar. Tires o velcro, jogues fora a venda. Ou então, assassinamos-nos de imediato.
Confesso: És um cretino, eu sei.
Mas é de todo um charme, e foi assim desde o inicio, só que agora; agora eu o odeio também. Faça-me dizer adeus. Por Deus.
Faça-me dizer Adeus.